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Revista GNU: PANC, um novo mundo de sabores, cores e texturas no prato

Você sabia que um terço da comida produzida no mundo é desperdiçado? No Brasil, 41 mil toneladas de comida vão para o lixo diariamente (IBGE). Parte dessa perda se dá pela produção em excesso e no transporte dos alimentos. Entretanto, boa parcela do desperdício ocorre por desconhecimento. Muitos vegetais altamente nutritivos e saborosos deixam de ir à mesa porque nem sabemos que eles existem ou que são comestíveis. É o caso, por exemplo, das folhas da batata doce, que são saborosas e ricas em nutrientes, mas que nem chegam a ir para a prateleira do mercado ou da feira, pois são jogadas no lixo antes disso.

Foi justamente para apresentar a diversidade de opções de vegetais comestíveis que a nutricionista Maribel Melos acompanhou as novas alunas da Confraria União D’Elas até a Feira Orgânica Rômulo Telles, na praça André Forster, que acontece aos sábados. Foi lá que as “aprendizes a chef” foram apresentadas às PANC.

 

PANC? O que é isso?

Plantas Alimentícias Não Convencionais (PANC) representam um mundo de sabores, propriedades e texturas a ser explorado. São vegetais que podem ser consumidos, mas não estão habitualmente na mesa dos brasileiros, na maioria das vezes, por desconhecimento. O conceito ‘não convencional’ pode variar de acordo com a região: uma planta pode ser considerada PANC no RS, mas não em SP, onde é comum. “Nos habituamos a comer sempre a mesma coisa. Mas ao consumir espécies diferentes, ampliamos as opções de alimentos para além de alface, tomate, cenoura e beterraba”, exemplificou Maribel.

Enquanto percorria as bancas da feira, a nutricionista mostrava ao grupo uma variedade de legumes, verduras, flores, raízes e frutos que praticamente ninguém conhecia. “Ir à feira serve para incluir na cesta espécies até então desconhecidas, como a couve mizuno, o dente de leão, a beldroega, pois os supermercados não vendem isso”, explicou Maribel.

A administradora de empresas e aluna da Confraria, Ana Paula Fernandes de Souza, não perdia nenhum detalhe das explicações da nutricionista. Anotava tudo em um caderninho e se mostrava bastante entusiasmada: “Vir à feira foi fantástico. Eu já tinha um pouco de noção sobre as PANC, mas eu não sabia identificar muita coisa, nem sabia as maneiras de preparar cada alimento. As dicas da Maribel serão muito úteis”, disse ela.

Já a bioquímica Marta Reis e Silva fez sua estreia na feira: “As dicas ajudarão a melhorar a alimentação em casa, a abrir o leque de opções para as refeições. É a primeira vez que eu venho a uma feira e adorei. Esta é uma prática que eu pretendo incorporar no meu cotidiano”, prometeu.

 

Conheça algumas PANC

Confira algumas preciosas dicas de PANC que Maribel Melos repassou às meninas da Confraria União D’Elas:

Ora-pro-nobis: riquíssima em proteína (28g em 100g), cálcio, magnésio, potássio, zinco e ferro. Possui mais ferro que o espinafre. Tem ação antitumoral. A digestão protéica é melhorada com o cozimento.

Azedinha: PANC característica da Região Sul do Brasil. Rica em ferro e resveratrol, antocianinas, catequinas, magnésio, vitaminas A e C e potássio. Tem efeito anti-inflamatório e antioxidante, o que contribui para evitar placas ateroscleróticas.

Dente-de-leão: é um pouco amargo, mas misturado com outras folhas seu sabor pode neutralizar. Ajuda o fígado a eliminar toxinas. Pode ser congelado.

Carambola: contém quantidade muito grande de vitamina C e magnésio. Contraindicada para quem tem problemas renais.

Taioba: comum em Porto Rico e Índia, é uma boa fonte de proteína, alto teor de ferro e vitamina C. Tem ação hipoglicemiante e hipocolesterolêmica. Deve ser consumida cozida.

Folha de batata doce: tem quantidade grande de magnésio. Ajuda na produção de serotonina, é relaxante, calmante, elimina toxinas. Deve ser comida cozida/refogada.

Capuchinha: rica em carotenoides, antocianinas e luteína, que contribui para a saúde ocular e protege a pele dos raios solares UV. As flores vermelhas e laranjas têm mais fitoquímicos. Tem ação anticâncer e protetora hepática.

Beldroega: vegetal para a longevidade. Tem alto teor proteico, rica em ômega 3, vitamina A, ácido fólico, cálcio e potássio. Apresenta ação antibacteriana, anti-inflamatória, antioxidante e cicatrizante. Pode ser consumida em omeletes, refogados, suflês, bolos, etc.