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Atrás da medalhista olímpica tem uma super mãe

Empenho, investimento, dedicação, tempo, esforço, superação, comprometimento, medo, sacrifícios, conquistas e coragem. São características necessárias a um atleta de alto rendimento, mas também exigidas da mãe, que acompanha de perto a carreira da filha. Assim é a rotina de Paula Vaz, mãe da judoca número UM do mundo na categoria Juvenil/2018, a Eduarda Vaz Rosa.

Das torcidas pela pequena filha de 6 anos ao redor dos tatames, lá em Canoas, aos Jogos Olímpicos da Juventude, na Argentina, de onde Eduarda Vaz Rosa trouxe ao Brasil a medalha de bronze, bate forte um coração maternal. Além de Duda (como a atleta é chamada pelos amigos), Paula tem mais quatro meninas: Jhenifer, 27 anos, Jessyka, 24, Júlia, 22, e Bruna, 20.

Funcionária pública, a técnica em Enfermagem conta um pouco da vida nos bastidores dos campeonatos de que a judoca participa. Mas a expressão se ilumina mesmo quando fala dos mimos que faz; do orgulho de ter uma filha atleta de alto rendimento; das alegrias das conquistas e do suporte que o Grêmio Náutico União dá à Eduarda.

“Não é fácil ser mãe de atleta. Mas é muito gratificante”, afirma. No domingo, já preparo o jantar para a semana. A Bruna (irmã que mora com ela) organiza diariamente e deixa tudo preparado. Quando Eduarda chega do treino, o jantar já está servido.” Se tem uma coisa que não pode faltar na semana da Duda é bolo de chocolate com cobertura de brigadeiro. E Paula faz.

A família enfrenta as dificuldades de mãos dadas. Em 2015, Duda cresceu muito durante o ano e precisou perder 10 quilos a fim de que se mantivesse na categoria em que fora inscrita para os jogos Pan-Americanos. “Toda a família fez dieta junto”, afirma Paula. “Não dava para as outras comerem bem enquanto ela tinha de emagrecer.”

 

O sacrifício que rende frutos

Mas o maior sacrifício mesmo foi quando, no final de 2016, Duda, então com 15 anos, entrou na categoria Sub-18. “Ela foi às seletivas com a certeza de que seria campeã e ficou em quarto lugar.”

Decepcionada com o resultado decidiu que não iria mais treinar. “Fez um escândalo no clube, brigou com todos.” A mãe afirma que saiu arrasada, chorou muito. Então, a atleta decidiu voltar aos treinos, mas deixou claro. “Estou indo só por tua causa, mãe.”

A colocação deixou Duda em terceiro lugar no Ranking brasileiro, e apenas os dois primeiros teriam a viagem paga para Turquia e Croácia. A família humilde (Jorge, o pai, é microempresário, e Paula, trabalha em um posto de saúde de Nova Santa Rita) não tinha condições de pagar os R$ 16 mil das despesas. Paula encarou a situação e disse: “A Duda vai competir, sim!”

Fez empréstimo, conseguiu ajuda de amigos e familiares, produziu trufas, que as quatro irmãs e o pai ajudavam a vender. Uma das manas, a Bruna, passou noites fazendo patchwork para arrecadar dinheiro, uma amiga conseguiu parcelar as passagens em duas vezes.  Família e amigos fizeram rifas, chás beneficentes. “Foi o maior empenho. Mas a Duda foi. E voltou com duas medalhas, assumindo a primeira posição no ranking brasileiro”, diz, orgulhosa.

Depois, com as despesas pagas pela família novamente, competiu mais uma etapa do circuito para o Mundial, na Alemanha. Ali ganhou outra medalha de terceiro lugar. “Fui a titular para o mundial naquele ano. Foi graças a esse esforço de todos que apareci de verdade. Tinha crescido, já estava na categoria juvenil e 2017 foi um ano de alavanca na minha carreira”, ressalta Duda.

Já o maior sufoco que a mãe da atleta enfrentou foi nas Olimpíadas da Juventude de 2018. Na final, Duda estava nervosa e cometeu duas infrações. Mais uma e seria desclassificada. O medo tomou conta de Paula, que saiu do estádio para recorrer à fé. Estava muito nervosa e se desesperou. “Gritei, chorei e pedi um milagre. Foi aí que, após uns instantes de silêncio, ouvi os gritos da torcida ‘Brasil, Brasil’! Voltei correndo a tempo de segurar a mão dela e agradecer a Deus.”

 

Primeira viagem internacional sem a família foi aos 11 anos

Em 2013, Duda disputou o Pan-Americano em El Salvador. Foi quando viajou pela primeira vez sem os pais. “Fiquei apavorada.” Um dia antes, Paula chorava ao telefone tentando uma viagem internacional para acompanhar a menina. “Aí, tive um momento de lucidez e acabei vendo que era impossível ir.”

A menina já tinha celular, mas não telefonava. Paula ligava para os técnicos a fim de ter notícias. “Eu queria competir e aproveitar. E eu nem tchu para a minha mãe”, afirma a judoca.

Já para a Europa, Eduarda viajou pela primeira vez em 2016. “Foi bem difícil, pois ela ficou dez dias. Mas meu coração de mãe foi assimilando.”

Hoje, Duda manda um recado por dia pelo menos. “Faço chamadas de vídeos, vou ao mercado e mostro os produtos.” Por outro lado, a mãe diz: “Eu fico aqui, mas viajo junto, acompanho.”

Duda finaliza a entrevista dizendo que a mãe é tudo. “Não faço nada sozinha. Nem comer.” Teve um dia em que ela queria um suco de goiaba e não tinha a fruta em casa. “A minha mãe saiu na rua até encontrar um pé de goiaba para fazer o suco. Isso é um pequeno exemplo de como ela luta para realizar as nossas vontades.”

 

Eduarda Vaz Rosa é:

Número 1 do mundo (2018)

Número 1 do Brasil desde 2016

Tricampeã Pan-Americana

Tricampeã Brasileira

Campeã do School Summer Games 2018

Pentacampeã do Brasileiro Regional

A judoca conquistou:

7º lugar no World Championship Cadet 2017

3º Lugar Youth Olimpic Games

6 medalhas em Circuito Europeu (1 ouro, 3 pratas e 2 bronzes)



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