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Muito além da ilha

Levar as crianças e adolescentes ribeirinhos de volta para a água, utilizando o esporte como grande atrativo. Com este objetivo nascia em 2017 o Projeto Remar, integrado pelo Grêmio Náutico União em parceria com a Secretaria Estadual do Meio Ambiente e as escolas estaduais Almirante Barroso e Maria José Mabilde, da Ilha da Pintada. O projeto está diretamente ligado ao desempenho escolar e ao comportamento dos integrantes dentro e fora dos treinos.

Morador da Ilha, o orientador técnico do projeto, Dênis Araújo, mostra orgulhoso o espaço conquistado nas instalações da Sema, à beira do Guaíba. “Começamos com uma área no pátio, onde colocávamos os barcos do União e ensinávamos as crianças a cuidarem da embarcação e dos procedimentos de segurança”, relembra.

Com o passar do tempo e os bons resultados obtidos, o grupo ganhou espaço e responsabilidades. A disciplina no Projeto é rigorosa, com horários, atribuições e cobrança de bom comportamento, além – é claro – das notas na escola.

Apesar de ser uma área com poucas oportunidades e com considerável vulnerabilidade social, todos os integrantes do projeto têm família presente. “São jovens que têm casa, alimento e estão na escola. Mas precisam de um objetivo para o futuro”, explica Dênis.

O projeto chegou como alternativa de esporte e convivência. “As crianças e adolescentes das ilhas haviam virado as costas para a água, por medo dos pais ou por acharem que havia outras coisas mais interessantes a fazer. E a gente conseguiu trazer o ribeirinho para a beira do rio com outros objetivos, que não sejam viver diretamente da pesca”, comemora.

Desde 2017, dezenas passaram pelo projeto e 16 adolescentes foram encaminhados para equipes de base do GNU. Um deles, Daniel Lima, foi vice-campeão no Campeonato Sul-Americano de Remo 2019 pelo GNU. O Remar também encaminha para outras modalidades esportivas e até para estágios, através de uma parceria com o Ciee.

 

Projeto é motivo de orgulho a ex-atleta

Dênis fala com orgulho especial do Remar como projeto social. “Nas ilhas, o pessoal vai trabalhar na pesca ou no Mercado Público. Para estas crianças o remo traz outras perspectivas, como trouxe para mim. Eu decidi que não ia remar para puxar rede”, conta o ex-atleta, que já foi campeão brasileiro e conquistou outros títulos nacionais e internacionais com o esporte.

Sem competir há quatro anos, dedica-se ao curso de Educação Física e ao projeto que ajudou a implementar. Dênis tem o apoio do remador olímpico Willian Giaretton, ex-atleta do GNU, que é padrinho do projeto. Os dois iniciaram a carreira juntos, também em uma ação social. “É incrível a diferença que um projeto deste pode proporcionar na vida de um jovem. E hoje, com a experiência, podemos agregar para eles o que não tivemos na nossa formação”, reconhece.

Paulo Riet tem 16 anos e participou da primeira turma do projeto. Hoje ele é atleta unionista e já representou o Clube com vitória em campeonatos estaduais. De segunda a sábado, ele treina pela manhã. À tarde, cursa o 9º ano do ensino fundamental. “No começo meus pais entenderam muito bem. Mas quando perceberam a mudança no comportamento e nas notas da escola, passaram a me incentivar mais. Eu não era fácil, o remo me acalmou”, confessa. Ele mesmo reconhece que o projeto fez diferença e definiu seu planejamento de futuro. “Quero cursar educação física e ser treinador”, projeta.

A pequena Isadora Ferreira de 13 anos está no projeto há um ano e já integra a equipe do União. Ingressou por curiosidade, para conhecer um esporte diferente. “Eu não conhecia o remo. O professor foi explicando tudo direitinho e me encantei , aprendendo a cuidar do barco e a remar.” O pai de Isadora, que é marinheiro, apoiou a iniciativa da filha e é ele quem a leva aos treinos no sábado. E a visão além da ilha também está nos planos da adolescente. ”É bom por que eu não vou ficar só aqui. Eu estou lá (no União), daqui a pouco já vou para outro lugar e para o mundo”, acredita.

 

GNU tem missão social em várias frentes

Cultivar o espírito solidário e espalhar, de alguma forma, alegria e alento entre os mais necessitados, além de promover a difusão do esporte através de diferentes ferramentas são ações vistas frequentemente em atividades do GNU. Os associados, através das Confrarias e Grupos, contribuem para muitos projetos. Atletas do clube se doam em ações voluntárias e colaboram para levar a atividade física e os benefícios do esporte a diferentes comunidades.

Um exemplo é o Grupo União Voluntários que completa 15 anos em 2019 e vem, ao longo do tempo, centralizando as arrecadações e doações dos diversos eventos do clube. “A gente tenta amenizar as necessidades de pessoas carentes, tanto de instituições cadastradas, como de pedidos que chegam através dos próprios associados”, explica Inês Menegon de Bona, coordenadora do grupo.

Ela conta que, em 2018, foram arrecadados quase 48 mil itens. “Nosso objetivo é chegar a 50 mil itens este ano”, aposta Inês. São roupas, calçados, alimentos, objetos de higiene pessoal e limpeza, além de brinquedos.

O União Voluntários tem 50 entidades cadastradas e “encomenda” às confrarias conforme a necessidade das instituições. “Visitamos os estabelecimentos, para conhecer como funcionam e de que forma utilizam as doações. Quando começa a faltar algum insumo específico, eles nos ligam e passamos a direcionar as arrecadações junto aos eventos.”

Os brinquedos recebem atenção especial. São muitas voluntárias que se dedicam à restauração das peças. Bonecas são limpas, penteadas e têm as roupinhas trocadas. Dedicação que vai além das tardes de terça-feira, quando o grupo se reúne no Clube. “É um trabalho braçal. Fazemos a triagem do material e levamos para casa bonecas, bichinhos de pelúcia, atividade para a semana inteira.”

Ela destaca o empenho de algumas associadas nesta parte de restauro, como Sila Lourenço, Maria Alice, Clarice, Ursula e Miraci. Outras, como Maria Helena e Isabel atuam na organização, Maria Lúcia faz roupinhas para bebê e meias de tricô para as vovós. A própria Inês se dedica a lavar e costurar os bichinhos de pelúcia.

Do carinho com as crianças à atenção com idosos, as integrantes do Grupo União Voluntários sabem o que cada tipo de entidade precisa, além dos insumos materiais. “O idoso em um asilo é muito solitário. Quando entramos, nos dias de entrega dos produtos, eles estão encolhidos. Começamos a conversar e brincar com eles, e a postura já muda, ficam mais retinhos, têm um brilho no olhar. Passar uns minutos juntos mexe com a vida deles e com as nossas muito mais”, emociona-se.

 

Todas as sedes têm postos de coleta

A coleta de doações está presente em todas as sedes do GNU e em parte dos eventos realizados no clube. Mas a presença de integrantes das Confrarias em outros projetos também faz diferença para comunidades e instituições carentes. É o caso do evento “Rolando Arroz” integrante do Projeto WinBelemDon (ambos trocadilhos com os torneios do Grand Slam de Tênis), que conta, desde 2011 com a participação da Confraria União D’Elas. As confreiras preparam e servem risotos aos convidados e às crianças participantes do projeto. O evento ocorre uma vez por ano e elas já chegaram a servir 600 pessoas.

Para Eliana Saint Pastous, coordenadora da confraria, essa doação de algumas horas de trabalho faz diferença na vida de quem participa.  “É emocionante. Saímos de lá com uma nova esperança. As crianças nos ensinam muito, são gratas e reconhecem este carinho que passamos.” Na edição de 2018, houve a necessidade de ampliar a equipe. Os confrades do União Cooks integraram a atividade. As duas confrarias gastronômicas do União atuam em conjunto também no jantar do Imama.

Os Cooks também têm tradição em ações beneficentes. Em julho cozinharam em um evento do Lions Club de Montenegro, em prol de entidades que auxiliam idosos. O Lions vendeu os convites e os confrades ficaram responsáveis pela preparação dos pratos. Conforme o coordenador da confraria, Jorge Ferla, “assim fizemos em outros eventos, em beneficio do Instituto Via Vida, Lar de Jesus e Instituto do Câncer Infantil”.

 

Ginasta transforma-se em Esperança

Foi com grande surpresa que a ginasta Andressa Wendel Jardim, da equipe de ginástica rítmica do União foi convidada para ser personagem principal de um evento em prol do Instituto do Câncer Infantil. No jantar anual, realizado em maio, Andressa foi a personagem Esperança, e levou a leveza e a beleza da ginástica rítmica, emocionando os convidados e pacientes do ICI.

Os proprietários da empresa Criar Produções e Eventos, onde Andressa trabalha aos finais de semana, já são voluntários do ICI há mais de 10 anos e estimulam os funcionários a realizarem essas atividades. Foi através deles que a atleta começou a atuar no voluntariado.

A partir daí surgiu a oportunidade de representar a Esperança, palavra tão importante para quem passa pelo Instituto.  “Foi incrível, ver os pacientes encantados, os colaboradores do instituto e todas aquelas pessoas emocionadas. E eu podendo mostrar a ginástica rítmica”, disse Andressa. “A cada vez que eu faço uma atividade voluntária fico mais encantada, e esta foi a primeira vez que atuei como atleta. Foi maravilhoso.”



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